Para quem gosta de trekking e desafios, levar a própria mochila é como estar vestido – faz parte.
O Americano Gregory, recém chegado dos EUA, estava muito animado e ansioso para começar a caminhar. Escritor do famoso guia de turismo “Lonely Planet”, sempre tinha á mão uma caderneta onde anotava absolutamente tudo!
O Waldemar, cidadão de Niterói, profundo admirador da Serra da Bocaina, já foi companheiro de outras aventuras nas trilhas do entorno da Pousada Recanto da Floresta.
O terceiro membro do grupo fui eu, que guiei a todos pela Trilha do Ouro.
Nossa primeira parada logicamente foi na Cachoeira de Santo Izidro.
Embora estivesse quente, como era o penúltimo dia de verão, a água estava fria e ninguém se aventurou.
Gregor gostou muito da Santo Izidro.
Continuamos nossa caminhada e a próxima parada foi na Cachoeira das Posses.
Imponente e com muita água, a Cachoeira das Posses estava em seu auge.
Foi gostoso caminhar na chuva em virtude do calor, ainda mais que estávamos começando justamente a parte da subida e, pelos 3km de subida ela nos acompanhou.
Como tinham muitos cupins voando, percebi logo que a chuva iria acabar e abriria o sol.
Meus companheiros não acreditaram muito, mas, de repente, a chuva parou e abriu um sol muito quente. Sorte que já tínhamos terminado a subida!
Chegamos à casa da D. Palmira às 17:50 e fomos recebidos com pinhão e café – tudo o que estávamos precisando!
Após o banho, D. Palmira deu um show no delicioso jantar que teve como sobremesa (pasmem) paçoca de pilão – Simplesmente deliciosa!
Depois do jantar chegou o sono...
Eram 20:30 da noite, após 7 horas de intensa caminhada, banho quentinho e um delicioso jantar, fomos dormir muito felizes.
20 de março de 2010:
O último dia de verão de 2010 chegou esplendoroso, céu azul, calor e muito sol.
Logo o cheiro do café sendo passado encheu a casa e foi fazendo com que o sono fosse embora.
A floresta repleta de árvores “Cássias” cheias de flores amarelas se destacavam em meio às quaresmeiras arroxeadas transformando a mata num verdadeiro jardim.
Ficamos um tempo parados olhando o cenário que parecia uma pintura; o céu azul polarizado, a mata verde, as Cássias amarelas e as quaresmeiras roxas – um espetáculo realmente lindo da natureza.
A paisagem agradava aos olhos e o gosto gostoso do araçá era uma bênção ao paladar.
Meus companheiros são bons “trekkers” e caminhamos vigorosamente, mas sem pressa, num ritmo que nos possibilitava conversar, pensar, respirar o ar perfumado pelas flores do brejo e observar a natureza, neste período do ano, totalmente multicolorida.
Demos uma parada gostosa no gramado da Fazenda Central, onde tomamos água, comemos um pouco de paçoca e conversamos bastante.
Chegamos à casa do Tião, nosso ponto de pernoite, às 12:20 e atravessar o Rio Mambucaba num bondinho suspenso por cabos de aço foi uma surpresa cheia de adrenalina para meus companheiros.
Assim que chegamos, trocamos de roupa e já corremos para o Rio Mambucaba.
É indescritível a sensação de relaxamento e liberdade...
Só saímos do Rio quando o almoço ficou pronto!
Com o corpo todo relaxado, depois de quase 3 horas de caminhada intensa, foi impossível evitar
Por volta das 15 horas chegamos ao ponto alto do passeio, a visita à Cachoeira do Veado.
Já fazem uns 25 anos quando visitei a Cachoeira do Veado pela primeira vez, e cada vez que visito a Cachoeira do Veado novamente, a fascinação que sinto por aquela preciosidade da natureza continua enorme.
Com 210m em duas quedas a Cachoeira do Veado é impressionante, ainda mais agora no verão que tem muito mais água. Um barulho ensurdecedor, o vapor da água que nos deixa molhados, e a beleza da mata atlântica que emoldura a cachoeira, formam um cenário inigualável e único.
Ao retornarmos da cachoeira, voltamos a nos banhar no Rio Mambucaba até o pôr do sol.
A noite chegou e o céu ficou estrelado, nosso jantar à luz de velas foi muito gostoso, conversamos bastante sobre vários assuntos, e o fato do horário de acordar no dia seguinte às 5hs da manhã, nos fez a todos, ir para a cama mais cedo.
O
O primeiro dia do outono de 2010 chegou prometendo aventuras e muitos escorregões!
Tomamos café e, por volta das 07:00 da manhã, começamos a caminhada de nosso último dia na Trilha do Ouro.
A mata estava exuberante e, logo nos primeiros quilômetros, começamos a ouvir o barulho de um bando de bugios do outro lado do vale.
Caminhamos sem problemas, a trilha estava um pouco molhada e escorregadia, pois não bate muito sol no chão, mas isso não nos atrapalhou. O tempo estava fresco e muito gostoso para caminhar.
Estávamos animados e caminhávamos muito bem; nossa primeira parada foi na divisa dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, quando atravessamos o Rio Memória por uma ponte bem instável que não inspirava segurança nenhuma.
Caminhamos tranqüilos e sem pressa, o tempo nublado ajudou bastante.
Por volta das 10 horas chegamos ao Macpira, onde fizemos uma parada maior para lanche e para tomar água.
No caminho até o Cocoon encontramos o Sr. Arli que subia animado a trilha.
No Cocoon, nosso novo ponto de parada para tomar água e descansar, aproveitamos para também comer um pouco.
Meus companheiros eram bem atenciosos e em nenhum momento caminharam na minha frente; isso foi muito importante, pois vimos duas cobras no caminho e, como eu caminhava sempre na frente, as vi primeiro dando tempo de alertar meus amigos. Tiramos fotos das duas e continuamos nossa caminhada.
A travessia da ponte do Rio Sto Antonio, como sempre, enche de adrenalina a todos que precisam cruzá-la, seus balanços nos fazem prender a respiração e ficamos muito aliviados quando novamente colocamos os pés no chão!
Atravessar a ponte pênsil do Rio Sto Antonio, é como começar a se despedir da floresta e da Trilha do Ouro.
Menos de uma hora após essa travessia, já estávamos no carro, sentados e seguindo para Mambucaba.
Deixamos o Gregor no ponto de ônibus de Mambucaba na certeza de que um dia ainda retornará à Serra da Bocaina.
À volta para São José do Barreiro, mesmo de carro é longa, e fomos cochilando e conversando,
Uma breve parada na padaria de Lídice e continuamos nossa jornada de retorno.
De volta ao escritório da MW Trekking em São José do Barreiro onde tudo começou 3 dias atrás, dei por encerrada nossa missão com sucesso. Finalmente foi relançada a Trilha do Ouro Back Packing, para quem gosta de aventuras e superação e, tenho certeza que muitos grupos virão também vivenciar todas essas emoções no coração da Serra da Bocaina.
Despedi-me do Waldemar, uma pessoa que admiro e que já faz parte da família MW Trekking a
Agora vou dormir – corpo cansado e mente feliz...
Sei que vou sonhar com as aventuras desses dias, mas em breve, sei que minhas botas estarão novamente pisando nas pedras da Trilha do Ouro...